Toxicomanias e Alcoolismo (TyA-Rio)

TOXICOMANIAS E ALCOOLISMO (TyA-Rio)

  • Coordenação: Sarita Gelbert
  • Coordenação adjunta: Rodrigo Abecassis
  • Periodicidade e horário: primeiras e terceiras terças-feiras do mês, às 20h00
  • Início: 04 de agosto

A proposta de pesquisa do Núcleo, para o próximo semestre, continuará dirigida à investigação das relações entre o conceito de superego e o paradigma da redução de danos. Vamos dar sequência à leitura da bibliografia proposta, articulada às discussões dos casos clínicos apresentados. Vemos na clínica com as toxicomanias a radicalidade das compulsões, num movimento pulsional mortífero, com raras modulações que permitem ao clínico intervenções pontuais. Notamos também, a partir dos relatos daqueles que trabalham na rede de saúde mental com usuários de drogas, que o paradigma da redução de danos se mostra necessário para fazer frente à demissão do sujeito gerada pelas propostas de abstinência total. Se num primeiro momento, o superego se apresenta como um conceito fundamental na obra freudiana, para compreender o funcionamento da economia psíquica e o laço social, tanto na constituição do sujeito quanto de seu destino, com Lacan pretendemos avançar sobre a noção de imperativo de gozo, que se inicia a partir de Freud, ao associar a instância superegoica a um imperativo categórico. Cabe lembrar, que Freud já nos mostra a posição paradoxal do superego. Uma via associada a constituição do sujeito como herdeiro do complexo de édipo e a outra, onde o superego se mostra como exigência de gozo. Nesse sentido, pretendemos verificar nas toxicomanias e no alcoolismo como se apresenta a instância superegoica, principalmente ao evidenciarmos as rupturas com o simbólico na contemporaneidade. Segundo Laurent: “E, ao mesmo tempo, todo o mundo vê que a legalização sem freio daria também um “empuxo à morte” tão grande quanto à proibição. São as duas faces do supereu. Tanto o gozar sem entrave quanto a tolerância zero produzem as duas faces de um mesmo apelo à morte. Esse empuxo à morte verifica-se, encarna-se especialmente bem com a droga, que vai junto com o tráfico de armas, que vai junto com a morte”[1]. Logo, o estudo sobre o conceito de superego será fundamental como ferramenta, para pensar tanto o campo clínico e epistêmico quanto o campo político da psicanálise.


Referências bibliográficas

BARROS, R. R. “Três conferências sobre o supereu”. ICP-RJ, 2004.

BERNARDES, A. C. “O eu e o supereu”. Em: Bernardes, A. C. (org.) 10 x Freud. Rio de Janeiro, Azougue, 2005.


[1] 4 LAURENT, E. 2011/12, p. 25