CURSO FUNDAMENTAL

Turma 2022

Caso Dora

  • Coordenação: Angela Bernardes
  • Datas: 9/3; 23/3; 6/4; 20/4; 4/5; 18/5; 1/6; 15/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

O “Fragmento da análise de um caso de histeria” teria sido escrito inicialmente como um adendo à Interpretação dos sonhos, ilustrando “a aplicação prática da arte de interpretar sonhos” (Freud, 1905/2006, p. 26). Muito além disso, no entanto, o caso tornou-se um paradigma da histeria na história da psicanálise. A formação do sintoma, o lugar do pai, a mulher como Outra, estão entre os temas fundamentais da psicanálise que esse caso abre.

Nesse curso, sem deixar de tocar nesses pontos, vamos nos dedicar à questão da instalação do dispositivo analítico. Estarão no centro de nossa reflexão a histerização do discurso e o estabelecimento da transferência como obstáculo e motor de uma análise.

Referências bibliográficas:
FREUD, S. (1905). “Fragmento da análise de um caso de histeria”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 2006. Volume VII. pp. 15-116.
LACAN. J. (1952). “Intervenção sobre a transferência”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar Ed. 1998. pp 214-225

Um estudo sobre o imaginário na psicanálise

  • Coordenação: Maria Silvia Garcia Fernández Hanna
  • Datas: 16/3; 30/3; 13/4; 27/4; 11/5; 25/5; 8/6; 22/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • As datas marcadas em vermelho serão encontros presenciais na sede da EBP-Rio.
  • As outras serão via plataforma Zoom.

O curso possibilitará fazer um percurso sobre a constituição e a função do eu, tomando como ponto de partida as concepções propostas no escrito de J. Lacan: “O estádio do espelho como formador da função do eu”, que serão atualizadas a partir das elaborações   apresentadas posteriormente, nos seminários 1 e 10 e por último no seminário 20. Esse caminho permitirá cernir a dimensão do imaginário em sua relação com o simbólico e o real e interrogar sua articulação nos sintomas e fenômenos que encontramos na experiência da psicanálise nos dias de hoje.

Referências bibliográficas:
LACAN, J. (1949) “O estádio do espelho como formador da função do eu, tal como nos é revelada na experiência psicanalítica”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
LACAN, J. (1953-54) O Seminário, Livro 1: Os Escritos Técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1979.
LACAN, J. (1962-63) O Seminário, Livro 10: A angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
M. H. BROUSSE “Corpos lacanianos: novidades contemporâneas sobre o estádio do espelho”. Em: Opção lacaniana online nova série, ano 5, n. 15, novembro 2014.
FERREIRA DA SILVA, R. “Lacan y lo imaginário”. Em: Lo imaginário em Lacan. Buenos Aires: Grama Ed.

Turma 2021

Caso do Homem dos ratos

  • Coordenação: Sarita Gelbert
  • Datas: 9/3; 23/3; 6/4; 20/4; 4/5; 18/5; 1/6; 15/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

Freud nomeou seu principal caso de neurose obsessiva de “Homem dos ratos”. Tal nomeação não passa desapercebida e teremos oportunidade de verificar aí o circuito pulsional do paciente.

Freud atendeu Ernest Lanzer durante um ano e sustentou com firmeza a transferência como motor da análise mesmo em momentos de transferência negativa. Conduziu a escuta orientado pelo significante, fiel às leis do inconsciente (condensação/metáfora e deslocamento/metonímia). Por ocasião da publicação do caso-1909, Freud ocupava-se dos mecanismos de formação do sintoma, da sintomatologia da Neurose obsessiva como formações de compromisso efeitos do retorno do recalcado. O caso demonstra com clareza esses sintomas.

Ao atender Ernest Lanzer, Freud não havia ainda formulado o “Mais além do princípio do prazer” de 1920 nem a segunda tópica em o texto “Ego e id” de 1923, porém ao escutar o tormento de seu paciente por causa das formações reativas, das dúvidas e da dívida, formulou a existência de uma segunda personalidade atormentadora que mais tarde seria conceituada como superego.

Lacan, em seu livro “O mito individual do neurótico”, faz um importante estudo da construção mítica que Ernest Lanzer faz de sua localização familiar.

O curso pretende revisitar os conceitos extraídos do caso e avançar no estudo da Neurose obsessiva, nomeada por Romildo do Rego Barros como neurose contemporânea.

Referências bibliográficas:
FREUD, S. (1909) “Notas sobre um caso de neurose obsessiva”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969. Volume X.
FREUD, S. (1913) “A disposição à neurose obsessiva”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969.Volume XII.
FREUD, S. (1916) “Alguns tipos de caráter encontrados no trabalho psicanalítico”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora 1969. Volume XIV.
FREUD, S. (1917) “As transformações do instinto exemplificadas no erotismo anal”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora 1969. Volume XV.
FREUD, S. (1916-1917) “O sentido dos sintomas”. Em: Conferências introdutórias em psicanálise. Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora 1969. Volume XVI.
FREUD, S. (1916-1917). “Fixação em traumas – O inconsciente”. Em: Conferências introdutórias em psicanálise. Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969. Volume XVI.
FREUD, S. (1923) “O Ego e o Id”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago Ed. 1969. Volume XIX.
LACAN, J. O Mito individual do neurótico – cópia
REGO BARROS, R. Compulsões e Obsessões – uma neurose do futuro. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 2012.

Posição do Inconsciente

  • Coordenação: Ondina Machado
  • Datas: 16/3; 30/3; 13/4; 27/4; 11/5; 25/5; 8/6; 22/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

 “Posição do inconsciente” é um texto que marca um momento especial no ensino de Lacan. Tendo sido apresentado no Congresso de Bonneval em 1960, foi retomado em 1964 no mesmo momento em que Lacan ministrava seu seminário, depois estabelecido por Jacques-Alain Miller e publicado como O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. O pedido de Henry Ey para incluir o texto em um livro dedicado ao Congresso, possibilitou que fatos ocorridos nesse período de 4 anos mostrassem os efeitos decisivos que tiveram sobre seu ensino. Uma virada conceitual resultante da chamada “excomunhão” da IPA, da interrupção de seu Seminário Os nomes do pai, da fundação de sua própria Escola e dos textos que até hoje nos orientam tanto na clínica quanto no fazer Escola.

O texto tem como eixo o inconsciente e percorre os fundamentos da psicanálise enquanto uma práxis. Além de uma nova perspectiva para o inconsciente, J. Lacan trata também da repetição, da pulsão e da transferência.

Iremos intercalar aula expositivas com apresentação de textos pelos alunos.

Referências bibliográficas:
LACAN, J. “Posição do inconsciente”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: J. Zahar Ed. 1998. P. 843-864.
Bibliografia Complementar:
LACAN, J. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: J. Zahar. 2008.

Turma 2020

Caso Schreber

  • Coordenação: Dóris Diogo
  • Datas: 9/3; 23/3; 6/4; 20/4; 4/5; 18/5; 1/6; 15/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

Freud (1911/1980) construiu, a partir das Memórias de Schreber, um caso clínico que se tornou referência na abordagem da psicose pela psicanálise.

Partiremos desse rico testemunho e das elaborações freudianas sobre a especificidade da psicose, o desencadeamento e o delírio como tentativa de cura.

Em seguida, comentaremos passagens do escrito – De uma questão preliminar a todo o tratamento possível da psicose, onde Lacan (1957-1958) demonstrou os efeitos da foraclusão do significante Nome-do-Pai na linguagem e no corpo bem como o trabalho de Schreber   que culminou na metáfora delirante. Essa solução elegante   revelou   o modo singular com que Schreber tratou um gozo disruptivo, elementos que podemos localizar no Esquema I, formulado por Lacan.

O curso vai se deter nestes textos fundamentais onde   situará também chaves para uma leitura atualizada (MILLER, 1979/1996) como efeito das mudanças na articulação significante e gozo no ensino de Lacan.

Referências bibliográficas:
FREUD, S. (1911/1980) “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia. (Dementia Paranoides)”. Em: Obras Completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago. 2006.V. XII.
LACAN, J. (1957-1958) “De uma questão preliminar a todo o tratamento possível da psicose”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1998.
SCHREBER, D. P. (1905) Memórias de um doente dos nervos. Rio de Janeiro: Edições Graal.1984.
Bibliografia complementar:
MILLER, J-A. (1979/1996) “Um suplemento topológico a uma questão preliminar”. Em: Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.1987.

Psicoses Ordinárias – Um programa de investigação

  • Coordenação: Cristina Frederico
  • Datas: 16/3; 30/3; 13/4; 27/4; 11/5; 25/5; 8/6; 22/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

 Lacan em seu ensino sobre a psicose na década de 50 assinalava uma ruptura acentuada entre neurose e psicose frente aos efeitos da foraclusão do significante Nome-do-Pai. A elaboração que se seguiu até os anos 1990 criou uma defasagem ao que se vinha presenciando na clínica com casos que não apresentavam os sinais típicos da psicose; entretanto, apresentavam “sinais mínimos” de uma organização não regida pela inscrição do significante paterno. Um refinamento da leitura dos textos de Lacan fez-se necessários. Uma série de três encontros foram realizados e, no terceiro desses, foi anunciada a noção de “psicose ordinária”. Os encontros marcaram um período de escansão para se repensar os conceitos na clínica da psicose e a discussão foi permeada pela equivalência do Nome-do-Pai ao sinthoma, equivalência indicada por Lacan em 1975 e evidenciada por J.-A. Miller.

Desta forma, retomaremos em nossos estudos dois pontos norteadores trazidos por J.-A. Miller: primeiro sua tese de 1986 acerca da “foraclusão generalizada”, na qual se presume um modo generalizado de foraclusão na própria estrutura da linguagem; segundo, discutiremos a equivalência entre sinthoma e Nome-do-Pai, valorizada por

J.-A Miller ao situá-la como o princípio cardeal da clínica borromeana.

De modo geral, situaremos a psicose ordinária como um programa de investigação, o que nos distancia de tratá-la como um diagnóstico a mais no campo das psicoses ou como uma categoria clínica limite entre neurose e psicose. Valorizaremos a proposta do programa de investigação das psicoses ordinárias proposto em 2007 por Eric Laurent, que propõe estabelecer certa pragmática, caso a caso, de como o sujeito pode vir a enodar os registros real, simbólico e imaginário. Nossa abordagem terá como fio condutor essa lógica de investigação e veremos, a partir daí, como esse programa pode vir a ser relançado atualmente.

Referências bibliográficas:
MILLER, J.-A. “Comentário del seminário inexistente”. Em: Comentário del seminário inexistente (Miller, J.-A. et al.). Buenos Aires: Ediciones Manantial. 1992, pp.11-43.
____________. “Efeito do retorno à psicose ordinária”. Em: Opção Lacaniana online nova série, ano 1, nº3, 2010. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_3/efeito_do_retorno_psicose_ordinaria.pdf. Acesso em 20 de novembro de 2021
MILLER, J.-A. e cols. A psicose ordinária: a convenção de Antibes. (Org. Maria do Carmo Dias Batista e Sérgio Laia). Belo Horizonte: Scriptum Livros. 2012.
Bibliografia complementar:
MALEVAL, J-C. “Elementos para uma apreensão clínica da psicose ordinária”. (R. Henriques e J. Birman, Trad.). Em: Clínica e Cultura, 3(1), 2014, p. 105-169.

Turma 2019

Os alunos que foram da turma 2019 terão a oportunidade de participar da Oficina de construção de texto, que concluirá com a apresentação dos trabalhos no Encontro final em julho de 2022. Durante esse semestre o ICP oferecerá também um espaço denominado Em direção à Escola, onde se realizará uma leitura e comentários do escrito A proposição de 9 de outubro de 1967.

Em direção à Escola

  • Coordenação: Maria Inês Lamy
  • Datas: 9/3; 23/3; 6/4 e 20/4.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

O ICP oferece o curso “Em direção à Escola” aos que completaram os três anos do Ciclo Fundamental. Vamos ler a “Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola”[1], texto em que Lacan, distinguindo hierarquia e gradus, propõe os lugares de AME e de AE. A partir da afirmação “o psicanalista só se autoriza de si mesmo”[2], Lacan tenta cernir o ponto em que o psicanalisante se torna psicanalista. Para isso, ele discute a experiência da análise, desde a instalação da transferência até o final, chegando ao testemunho de passe. E sintetiza bem a complexidade da questão: “Essa sombra espessa que encobre a junção de que me ocupo aqui, aquela em que o psicanalisante passa a psicanalista, é ela que nossa Escola pode empenhar-se em dissipar”.[3]

Referências bibliográficas:
LACAN. J. “Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola”. Em: Outros Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003.

Oficina de construção de trabalho

  • Coordenação: Marcia Zucchi e Maria Silvia Garcia Fernandez Hanna
  • Datas dos encontros: 16/3; 30/3; 13/4; 27/4; 4/5 e 1/6.
  • Horário: 19:00 h às 21:00 h
  • Os encontros marcados em vermelho serão presenciais na sede da EBP-Rio.
  • Os outros serão via plataforma Zoom.

[1] LACAN. J. “Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola”. Em: Outros Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003
[2]Idem, p.248.
[3]Idem, p. 258
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