CURSO FUNDAMENTAL

Turma 2021

Sobre o Pequeno Hans

  • Coordenação: Rachel Amin
  • Horário: 19h
  • Início: 11 de agosto

Neste percurso trataremos do caso do Pequeno Hans, única criança acompanhada por Freud em 1909. Neste texto Freud se dedica ao caso para nos falar sobre a histeria de angústia, sobre a fobia como sintoma e, sobretudo, da ameaça de castração, um conceito que acabara de talhar.

A questão de Hans nos dará também a oportunidade de averiguarmos, com os aportes feitos por Lacan, sobre as consequências da função do pai como agente da transmissão da castração, da sexualidade feminina da mãe e seus impasses para cada sujeito.

Nosso esquema de trabalho será:

  • Apresentação do caso clínico.
  • Teorizações de Freud a respeito da sexualidade infantil.
  • Aportes de Lacan a respeito do enigma da sexualidade feminina para uma criança.
Referências Bibliográficas:
FREUD, S. (1977) Obras Completas. RJ: Imago Ed.1976.
FREUD, S. (1905) “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade”. Vol. VII.
FREUD, S. (1907) Sobre o esclarecimento sexual das crianças, Vol. IX.
FREUD, S. (1908) “Sobre as teorias sexuais das crianças”. Vol. IX.
FREUD, S. (1909) “O pequeno Hans” vol. X.
FREUD, S. (1923) “A organização genital infantil (uma interpolação na teoria da sexualidade)”. Vol. XX.
FREUD, S. (1924) “Dissolução do complexo de Édipo”. Vol. XIX.
FREUD, S. (1925) “Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos”. Vol. XIX.
FREUD, S. (1931) “Sexualidade feminina”. Vol. XXI.
LACAN, J. O Seminário livro 4: as relações de objeto. Jorge Zahar. Rio de Janeiro.1995. P. 203-551
LACAN, J. O Seminário, livro 5: as formações do inconsciente. Jorge Zahar Ed. Rio de Janeiro. 1999. P. 149-366
LACAN, J. O Seminário, livro 22: RSI. Aula de 21 de janeiro. Inédito.
MILLER, J-A. (2009) “A lógica do tratamento do Pequeno Hans segundo Lacan”, Vol. IV, nº 7, nov. 2008 a abr, ISSN 1809- 709X, http://www.isepol.com/asephallus/numero_07/traducao_1.html
MILLER, J-A. (2014) “A criança entre a mulher e a mãe”. Em: Opção lacaniana online, Nova série ano V, dezembro, ISSN2177-2673, http://www.opcaolacaniana.com.br/nranterior/numero15/texto1.htm

Leitura do escrito – “Subversão do sujeito e dialética do desejo”.

  • Coordenação: Lenita Bentes
  • Horário: 19h
  • Início: 18/08

Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo: trabalharemos a abordagem de Lacan no tocante a distinção entre o sujeito da ciência, da filosofia e da psicanálise. Texto dos anos 1960, pleno âmbito de seu primeiro ensino, quando a ênfase era colocada no registro imaginário-simbólico.

Para tal, Lacan serviu-se da linguística de Jakobson e Saussure no tocante ao signo linguístico. A subversão do signo permite a Lacan abordar o inconsciente freudiano dando relevância ao sujeito como efeito do significante, sujeito desde sempre, imerso no banho da linguagem. Sua escrita inovadora e´ transmitida por grafos que, em patamares distintos, indicam a relação do sujeito com a fantasia, com o desejo e com o gozo tal como era então concebido.

Ilustraremos este salto qualitativo com o conto de Cazotte: “Deus odioso e o diabo amoroso” citado por Lacan para dizer da relação do sujeito com a pergunta do desejo: “che vuoi”.

Referências Bibliográficas:
CAZOTTE, J. Le diable amoureux, Garnier-Flamarion, 1980.
HEGEL, F. A fenomenologia do Espírito, Ed. Vozes, nona edição.
LACAN, J.  A subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente Freudiano-1960. In: Escritos, Jorge Zahar Editor, RJ, 1998. P. 807- 864
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral, Ed Cultrix, SP, 2006.

Turma 2020

O caso Homem dos Lobos

  • Coordenação: Ana Lúcia Garcia de Freitas
  • Horário: 19h
  • Início: 11/08

Iniciaremos a leitura do caso clínico “O Homem dos Lobos”, situando a reinterpretação, feita por Freud, de uma neurose infantil que se passara 15 anos antes. Destacaremos os traços e elaborações acerca da castração, angústia, fixação libidinal, coexistência de diversas ligações libidinais, ambivalência, constituição da fantasia e sintoma. Prosseguiremos, com a leitura orientada por Lacan e Miller sobre o caso, a partir dos registros do real, do simbólico e do imaginário, situaremos os impasses do diagnóstico (recalque e foraclusão), interrogando a passagem da fantasia ao sinthoma, a partir do tratamento do gozo. Onde podemos localizar o ponto de real neste caso? Como localizar, no caso, fantasia, sintoma e sinthoma, como indicadores do modo de gozo do sujeito?

Referências Bibliográficas:
FREUD, S. História do Homem de uma neurose infantil. EBS: Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
LACAN, J. “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose” . Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,1988.
LACAN, J. O seminário, Livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de janeiro: Jorge Zahar Editor, 1979.
LACAN, J. O seminário, Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,1964.
MILLER, J.-A. O Homem dos Lobos. Revista Opção Lacaniana. São Paulo: Editora Eolia. Números 56/57 e 59.

A direção do tratamento e os Princípios de seu poder.

  • Coordenação: Sandra Viola
  • Horário: 19h
  • Início: 18/08

Em 1958, entre o seminário V e o VI, Lacan escreve A Direção do tratamento e os princípios do seu poder. Com base no estruturalismo de Jackobson e na antropologia de Levy Strauss -orientação tomada na época- Lacan faz um texto teórico clínico numa releitura fina de Freud. Trata se de um escrito rigoroso e até mesmo didático, dividido em cinco partes. As quatro primeiras apresentadas a partir de perguntas. Todas elas, inclusive a quinta, indicam que a técnica, a estratégia e a política da análise se articulam à ética do sujeito do desejo.

Podemos dizer, como o próprio título sugere, que o texto faz uma crítica acirrada à IPA, à contratransferência e ao que se convencionou de chamar de Ego forte.
Mais ainda, e muito especialmente, o escrito trata do lugar e do desejo do analista.

Faremos uma leitura passo a passo, lançando mão de textos atuais que colocam o amor de transferência e o analista.

Referência Bibliográfica:
LACAN, J. A direção do tratamento e os princípios de seu poder. Em: Escritos. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro. 1988.
Bibliografia suplementar:
FREUD, S. (1914) Observações sobre o amor de transferência Em: Obras Completas. Imago Editor. Rio de Janeiro.1976
FREUD, S. (1912) A Dinâmica da Transferência. Em: Obras Completas. Imago Editora. Rio de Janeiro.1976
LACAN J. Seminário Livro 5: as formações do Inconsciente. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro.1999.
LACAN, J. Seminário Livro 6: o desejo e sua intepretação. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro.
LACAN, J. Seminário livro 7: a ética da psicanálise. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro.
LACAN, J. Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. Em: Escritos. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro.1988.

Turma 2019

Sobre A Jovem homossexual

  • Coordenação: Vanda Assumpção Almeida
  • Horário: 19h
  • Início: 11/08

Freud, em seu artigo sobre A Psicogênese de um Caso de Homossexualismo em uma Mulher, faz um extenso relato sobre o caso de uma jovem de 18 anos, que é levada por seus pais até ele devido ao seu interesse por uma certa “dama da sociedade” de Viena. Tal fato, causa grande desconforto aos pais, em especial ao pai. Pretendemos nos debruçar sobre esse caso príncipes de Freud, no qual ele se aprofunda sobre a questão da sexualidade feminina e lança luz sobre a homossexualidade de maneira geral.

Em nosso percurso pretendemos acompanhá-lo em suas considerações acerca do tema, como nos servir dos conceitos teóricos que embasam sua teoria sobre a homossexualidade. Isso nos exigirá percorrer noções já sedimentadas em Freud e, também em Lacan. Dentre elas, destacamos a teoria da sexualidade infantil, a questão da transferência, a identificação, como, ainda, a relação com o Outro, as relações de objeto, a angústia e sua relação com o objeto a, e a relação com o gozo.

Por fim, vamos a Lacan buscar em suas observações posteriores, as importantes considerações tecidas sobre a condução do caso, em particular sobre a transferência.

Referências Bibliográficas:
FREUD, S. A Psicogênese de um caso de homossexualismo em uma mulher. In: Obras Completas. Rio de Janeiro. Imago, 1976.
FREUD, S. A sexualidade feminina. In: Novas Conferências Introdutórias (1933n). In: Obras completas. Rio de Janeiro. Imago, 1976.
LACAN, J. O seminário, livro 4, A relação de objeto. Jorge Zahar Editor. RJ. 1995.
LACAN, J. O seminário, livro 10, A angústia. Jorge Zahar Editor. RJ. 2005.
LACAN, J. O seminário, livro 20. Mais, ainda. Jorge Zahar Editor, RJ. 2008. Ines Rieder e Diana Voigt, in Desejos Secretos, a história de Sidonie C., A Paciente Homossexual de Freud.

A Significação do Falo

  • Coordenação: Maria Lídia Arraes Alencar
  • Horário: 19h
  • Início: 18/08

Pretende-se, a partir da leitura e discussão do Escrito de Lacan “A significação do Falo”, de 1958, percorrer alguns dos momentos de virada, em seu ensino, sobre o conceito de Falo. Na 1ª etapa, propomos situar o estatuto do falo dado por Lacan no início de seu ensino, enquanto ‘significante do desejo’, articulado à dialética edípica, portanto entendido como a perspectiva do sujeito entre ser ou não ser, ter ou não ter o falo. Essa concepção do falo é tributária da Metáfora Paterna, relativa aos conceitos de castração e recalque, em que o Nome do Pai preside o uso dos termos envolvidos na constituição de sujeito. O efeito dessa operação é a significação fálica. A seguir abordaremos algumas passagens do Seminário X, A Angústia, de 1962/63, em que Lacan inclui o falo como um dos 5 modos de apresentação do objeto a objeto irredutível ao significante. O fenômeno da angústia seria o índice da presença subjetiva do objeto. Em um 3º momento, Lacan relativiza, no Seminário XVIII, nos anos 70, os conceitos de falo e objeto a, assimilando ambos ao conceito de semblante. O falo é significante, logo é semblante, fazendo crer a existência de algo que não há. Tudo que opera pelo semblante fálico possibilita verificar o que se articula entre a Metáfora Paterna e a significação fálica, seu efeito direto.

Referências Bibliográficas:
LACAN, J. A significação do falo, 1958, Escritos (1998), Zahar Editora, RJ. 1988.
LACAN, J. Seminário, livro 10: a angústia, 1962/63, Zahar. RJ. 2005.
LACAN, J. Seminário Livro 18: de um discurso que não fosse semblante. Zahar Ed. RJ. 2009.
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