PSICANÁLISE E MEDICINA

  • Coordenação: Andrea Vilanova e Vinícius Darriba
  • Periodicidade e horário: 1as e 3as terças-feiras, às 20:30
  • Início: 15 de fevereiro

Da pergunta freudiana “o que quer uma mulher?”¹ ao aforismo lacaniano “A mulher não existe”, como formula Lacan, no seminário, livro 20, há um longo caminho percorrido, quer seja tomando-o pela cronologia, quer seja pelo percurso conceitual. Em termos lógicos, no entanto, podemos dizer que a partir dos impasses do Édipo quanto ao falo, frente à sexualidade feminina, Freud deixa pistas para Lacan, que faz da “querela do falo”² uma alavanca para forçar a distinção, ofuscada por formulações pós-freudianas, entre falo e pênis. E, indo além, extrai do que na mulher não encontra na maternidade resposta possível elementos que o conduzem para além do Édipo. Trata-se de uma ultrapassagem que convoca torções conceituais e coloca em nova rota elementos fundamentais como a linguagem, o gozo e o corpo, entre outros. Tomaremos a temática do corpo como fio condutor para percorrer o labirinto, apoiados na pragmática dos casos que nos permitirão abordar temas como a conversão histérica, o empuxo-à-mulher nas psicoses e os usos do corpo no paradigma trans. Como veremos, são também temas nos quais vem se sustentando, desde a origem da psicanálise, os encontros e desencontros em sua relação com a medicina.

Referências bibliográficas:
Gama, V. e Bastos, A. “A feminização na psicose: empuxo-à-mulher e erotomania”. Recuperado em: https://www.scielo.br/j/pc/a/jWMcQkZGhph3Yb5nN8YMSQm/?format=pdf&lang=pt
Brousse, M. H. “Corpos lacanianos: novidades contemporâneas sobre o Estádio do Espelho”. Opção Lacaniana Online. Recuperado em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_15/corpos_lacanianos.pdf
Freud, S. “A organização genital infantil: uma interpolação na teoria da sexualidade” [1923]. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas. Rio de Janeiro. Imago, 1972. v. XIX.
_______. “Algumas consequências psíquicas da diferença anatômica entre os sexos” [1925- 1931]. In Op cit. v. XIX.
_______. “Sexualidade feminina” [1931]. In Op cit. v. XXI.
_______. “A feminilidade” [1933]. In Op cit. v. XXII.
Lacan, J. O Seminário, Livro 3: As Psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
_______. O Seminário. Livro 20: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
_______. “A significação do falo”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
_______. “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose. In Op cit.
_______. « Diretrizes para um congresso sobre a sexualidade feminina”. In Op cit.
Laurent, E. Du paradigme trans. Lacan Quotidien N° 928, 25 avril 2021 https://lacanquotidien.fr/blog/wp-content/uploads/2021/04/LQ-928.pdf
Miller J.-A. La jouissance féminine, n’est-elle pas la jouissance comme telle?, Quarto, n° 122, juillet 2019, p. 10-15.
Siriot, M. O gozo feminino: uma orientação em direção ao real. Recuperado em: https://www.encontrobrasileiro2020.com.br/o-gozo-feminino-uma-orientacao-em-direcao-ao-real/
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¹Jones, E. La vie et l’oeuvre de Sigmund Freud. PUF, TII, p.445.
2 Cf. Lacan em o seminário, livro 5, p.p. 280-297
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