Clínica e Política do Ato

CLÍNICA E POLÍTICA DO ATO

  • Coordenação: Ondina Machado
  • Coordenação adjunta: Leonardo Miranda
  • Periodicidade e horário: segundas e quartas sextas-feiras do mês, às 14h00
  • Início: 26 de fevereiro

A Unidade de pesquisa estará, em 2021, sob o signo do amor. Começaremos com o caso conhecido como da jovem homossexual e nos estenderemos ao que há de novo no amor.

Pretendemos, assim, percorrer o arco que liga o agieren freudiano à transferência. O caso atendido por Freud nos dará ocasião de indagar sobre os conceitos de acting-out e passagem ao ato, centrais no episódio dramático quando a jovem se joga na linha férrea. Ele também nos dará motivo para pensar os modos pelos quais o amor em Freud está na vertente paterna, na degradação do objeto, e entender a proposta de um amor mais digno vindo do último Lacan. É o amor como laço, como mais digno, que nos permitirá pensar desde a sustentação do laço amoroso, do ato político ou mesmo de uma análise.

Na psicanálise, como escreve Freud, falar em amor nos remete ao fenômeno da transferência que, atualmente, se dá além da exigência do saber. Este será nosso eixo de trabalho, nos guiando pelos desdobramentos da questão apresentada no argumento de Ram Mandil: “O que seria o amor de transferência, por exemplo, como demanda de presença pura, quando os signos do amor parecem reduzidos ao mero batimento presença/ ausência?”.

Referências bibliográficas
FREUD, S. “Sobre psicogênese de um caso de homossexualidade feminina” (1920). Em: Obras incompletas de Sigmund Freud: Neurose, psicose e perversão. Belo Horizonte: Autêntica Ed., 2018.
MILLER, J.-A. “O amor entre repetição e invenção”. Em: Opção Lacaniana online – nova série, n. 02, julho de 2010. Disponível em: http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_2/O_amor_entre_repeticao_e_invencao.pdf
ARGUMENTOS. Site do X ENAPOL. Disponível em: http://x-enapol.org/pt/argumentos/
TROBAS, G. “Tres respuestas del sujeto ante la angustia: Inhibición, pasaje al acto y acting out”. Em: Logos, n. 1.

Temas abordados desde 2013:

  • Violência urbana
  • Teoria geral do ato, acting e passagem ao ato
  • Agressores e vítimas
  • Adolescência em ato
  • Ato e psicose
  • Ato e segregação
  • A violência e os afetos

Coordenação: Ondina Machado e Heloísa Caldas

Periodicidade e horário: segundas e quartas sextas-feiras de cada mês, às 14h30

Início: 13 de abril

Ato e segregação

O tema do Encontro Brasileiro de 2018 – “A queda do falocentrismo. Suas consequências para a psicanálise” – nos permitirá, em parte, dar prosseguimento ao estudo feito em 2017 sobre as psicoses, agora acrescidos dos efeitos de saber produzidos pelo Congresso da AMP de Barcelona. A abordagem transferencial das psicoses tem nos mostrado que há arranjos que não fazem uso do universal orientado pelo pai, o que equivale à queda do falocentrismo.

Esperamos trazer de Barcelona questões que nos orientem nas análises de sujeitos que, a despeito de se livrarem do Outro, caem na malhas de um Outro feroz, rígido, com o qual não há papo, sequer na intimidade fantasmática. A falta de dialética enseja mais ao ato que à reflexão e encaminha a solução do mal-estar à formação de comunidades de gozo que muitas vezes sustentam o sujeito. Aqui pretendemos pensar um dos conceitos básicos da psicanálise, a identificação, e questionar a relação entre a saída identitária e as formas de segregação que presenciamos atualmente. Por outro lado, tanto a entrada em análise quanto seu término implicam em um ato. Que tipo de ato implica o término da análise? Seu desfecho leva à redução de um ponto de singularidade que recorta o gozo único que habita cada um de nós. Como fazer isso sem entrar na lógica segregativa nem virar um ermitão? Estas são as questões que pretendemos abordar em nosso programa de pesquisa.

 

Programa:

1 – O que nos ensinam as psicoses – Ecos de Barcelona

2 – Comunidades de gozo: da identificação à segregação. Sexo, seitas, religiões e partidos

3 – Identificação ao sinthoma ou como fazer laço com o gozo singular

 

Os temas serão abordados alternando a teoria com casos clínicos extraídos de nossa prática ou da literatura disponível.

 

Bibliografia:

Laurent, É. O avesso da biopolítica. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2017.

Laurent, É. “Racismo 2.0”. In: Lacan Cotidiano, n. 371. AMP Blog, Acessível por: http://ampblog2006.blogspot.com.br/2014/02/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html

Delgado, O.; Fridman, P. Indagaciones psicoanalíticas sobre la segregación. Olivos: Grama Ediciones, 2017.

Holck, A.L.L.; Santos, A. O que se passa? Análises lacanianas e outras histórias. Rio de Janeiro: Subversos, 2012.

 

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