CURSO FUNDAMENTAL

Turma 2023

I – Leitura de “Sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina” (Caso da jovem homossexual)

  • Coordenação: Maria Antunes Tavares e Tatiane Grova Prado
  • Horário: Quintas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 07/08, 21/08, 11/09, 25/09, 09/10, 23/10, 06/11 e 27/11

Ao ler o caso escrito por Freud, somos surpreendidos pelo fato de que, apesar de se tratar do que poderíamos considerar um tratamento breve, os elementos por ele destacados são precisos e importantes para pensar questões clínicas da nossa época.

Como Freud já nos advertia, estamos numa época na qual a questão de ser homem ou mulher não se articula com a escolha do objeto amoroso. E, mais ainda, na qual o gênero ultrapassou as definições binárias, compreendidas numa lógica patriarcal na época de Freud.

A partir do nosso contexto, abordaremos esse escrito freudiano situando a função do falo no caso e o modo como a jovem homossexual faz uso dele para se apoiar em sua relação ao Outro. Ou seja, como ela foi se arranjando para lidar com suas questões, para se localizar em relação ao desejo do Outro e em suas escolhas de objeto. Também situaremos nossas perguntas em quais foram as consequências e os arranjos possíveis para essa analisante na sua articulação com o pai em suas dimensões simbólica, imaginária e real.

Para este trabalho, nos debruçaremos no caso escrito por Freud e na leitura dos Seminários 4 e 10 de Lacan.

Referências bibliográficas básicas:
FREUD, S. Sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina (1920). Em: Obras completas: volume 15 (1920-1923). São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 67-86.
LACAN, J. O seminário: livro 4 – A relação de objeto (1956-1957). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
LACAN, J. O seminário: livro 10 – A angústia (1962-1963). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

II – Leitura de “A significação do falo”

  • Coordenação: Luís Moreira
  • Horário: Quintas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 14/08, 28/08, 18/09, 02/10, 16/10, 30/10, 13/11 e 04/12

O escrito “A significação do falo” retoma a conferência de Lacan realizada em 9 de maio de 1958. Ele está no centro do retorno a Freud do ensino de Lacan do final dos anos 50, quando se pôs a reler conceitos freudianos à luz do “inconsciente estruturado como uma linguagem”, tais como o Complexo de Édipo, Complexo de Castração, Desejo e, o mais controverso entre eles, o falo. Na contracorrente dos críticos de Freud, Lacan ousou defender a pertinência do falo na teoria psicanalítica, como legítima declinação do objeto perdido freudiano. Ele partiu de que se tratava do falo ausente do corpo materno e começou explorando suas origens imaginárias ao concebê-lo como objeto imaginário da castração simbólica, operada pela metáfora paterna que, por sua vez, colocava o falo em seu devido lugar, de significante. Foi no escrito “A significação do falo”, que Lacan elevou o falo ao seu estatuto fundamental, de significante, isto é, significante do desejo metonímico e recalcado do inconsciente.

O escrito “A significação do falo” põe em foco a clínica do desejo sexual, da diferença entre homens e mulheres nas relações sexuais. É com o falo – entre imaginário e simbólico – que Lacan busca responder à questão: como o sujeito do desejo inconsciente “[…] poderia se identificar com o tipo ideal de seu sexo […]” e atender às demandas e aos desejos do parceiro sexual?

O caráter não dogmático e progressivo do ensino de Lacan está bem representado pela definição do falo. Por exemplo, o estatuto de significante do falo não apaga sua origem imaginária mantida nos sintagmas “objeto fálico”, “significante imaginário” e “significação fálica”. Além disso, o falo significante do desejo acabará por conviver com outra definição, significante do gozo. Por fim, ele acabará por ceder o protagonismo ao objeto-a, a versão real do objeto perdido da estrutura. Contudo, ele não sairá de cena teórica, mantido como atributo, no gozo fálico.

Referências bibliográficas básicas:
LACAN, J. A significação do falo (1958). Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
LACAN, J. Seminário, livro 4 – As relações de objeto (1956/1957). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
MILLER, J-A. Silet. Os paradoxos da pulsão de Freud a Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

Turma 2024

I – Leitura de Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia (Caso Schreber)

  • Coordenação: José Marcos Moura
  • Horário: Quartas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 06/08, 20/08, 03/09, 17/09, 01/10, 15/10, 29/10 e 12/11

Neste curso vamos retomar Memórias de um doente dos nervos, bem como Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia desassossegados pela leitura de Freud no século XXI volume I.

Iremos estudar o singular Schreber, sujeito de sua própria época, filho, irmão, marido, pai, intelectual, jurista, autor e louco. Segundo José Maria Alvarez, o louco mais famoso do mundo, autor cuja obra despertou inúmeros trabalhos, livros, críticas de intelectuais, filósofos, psicanalistas, psiquiatras, romancistas etc.

Ao mesmo tempo, nós estudaremos Freud e sua aproximação da psicose, suas teses que se debruçam sobre a psicose, a partir da neurose, o advento do narcisismo avant la lettre, no caso Schreber. Por sua vez, todo este exercício de leitura, só é possível através da orientação lacaniana.

Referências bibliográficas básicas:
SCHREBER, D. P. Memórias de um doente dos nervos. São Paulo: Todavia, 2021.
FREUD, S. (1911) Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia. [O caso Schreber]. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
IANNINI, G. Freud no século XXI. O que é psicanálise? v. 1. Belo Horizonte: Autêntica, 2024.

II – Leitura de “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”

  • Coordenação: Maria Silvia G. F. Hanna
  • Com a colaboração de: Ana Beatriz Bernat
  • Horário: Quartas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 13/08, 27/08, 10/09, 24/09, 08/10, 22/10, 05/11 e 19/11

A proposta do curso consiste em uma leitura comentada do escrito de J. Lacan de 1958, a partir da qual extrairemos os pontos relevantes em torno do tema da psicose, sua estrutura, os fenômenos alucinatórios, os delírios e o tratamento. A construção do escrito com suas escansões permitirá abordar o tema da metáfora paterna, sua presença no campo das neuroses e sua ausência no caso das psicoses.

Os esquemas L, R serão articulados para elucidar a dimensão do sujeito e sua relação com o Outro. O esquema I servirá para mapear os elementos que estão em jogo na metáfora delirante e seus efeitos. Para encerrar a leitura nos dedicaremos ao tópico da transferência na psicose e seu manejo.

Referências bibliográficas básicas:
FREUD, S. (1911). Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia. Em: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1969; 2006. v. XII.
HANNA, M. S. G. F. A transferência no campo da psicose: uma questão. Rio de Janeiro: Subversos, 2018.
LACAN, J. (1957-58). De uma questão preliminar a todo tratamento da psicose. Em: Escritos. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1998.
MILLER J.-A. Um suplemento topológico a uma questão preliminar. Em: Matemas I. Buenos Aires: Manantial, 1987.

Turma 2025

I – Leitura de Análise de uma fobia em um menino de cinco anos (Caso Hans)

  • Coordenação: Ana Lucia Garcia de Freitas
  • Horário: Quartas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 06/08, 20/08, 03/09, 17/10, 01/10, 15/10, 29/10 e 12/11

Os cinco casos clínicos freudianos são paradigmáticos, na medida em que marcam a singularidade estampada em cada um desses casos. O Caso do Pequeno Hans (1909) apresenta uma peculiaridade: o pai procura Freud em decorrência da fobia de Hans, colocando-se como interlocutor privilegiado. Hans teve um único encontro com Freud e, ainda assim, constitui a primeira experiência de uma criança à luz do discurso analítico.

O que Freud nos ensinou com seu relato minucioso do caso? Freud destacou como Hans nos esclarece sobre o mecanismo da formação do sintoma fóbico, a angústia frente ao encontro com o sexual, o desejo da mãe enquanto devorador, as teorias sexuais infantis como tentativa de solução.

Lacan, no Seminário do livro 4, faz sua leitura do caso; examinará as categorias da falta de objeto (castração, privação e frustração), o conceito de falo, o Nome do Pai, o Complexo de Castração, o papel da fantasia e a sua relação com a formação do sintoma. Nossa proposta de leitura do caso escrito por Freud e relido por Lacan visará o percurso dos conceitos acima mencionados. Como esse caso pode nos servir para a reflexão sobre a clínica contemporânea?

Referências bibliográficas básicas:
FREUD, S. Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. Obras Incompletas de Sigmund Freud, Histórias Clínicas. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.
FREUD, S. O declínio do Complexo de Édipo (1924). Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
LACAN, J. O Seminário, livro 4 – A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

II – Leitura de “A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud”

  • Coordenadora: Bruna Guaraná
  • Horário: Quartas-feiras – 19:00-21:00
  • Datas: 13/08, 27/08, 10/09, 24/09, 08/10, 22/10, 05/11 e 19/11

Lacan escreve na escolha do título do seu texto o significante “letra”. Com o que se relaciona essa escolha? Quem eram seus interlocutores da época e seu público a quem endereça sua fala? Vamos partir desse contexto para então destacar o aspecto do campo em comum na leitura da experiência analítica da fala e da escrita. Pois o que se descortina entre a fala e a escrita é toda a estrutura do campo da linguagem.

O axioma lacaniano de que o inconsciente está estruturado como uma linguagem será uma premissa central nessa construção. E o conceito de interpretação é solidário do inconsciente freudiano. Por esse motivo é que Lacan afirma que será preciso interpretar ao “pé da letra”. Vamos bordejar esse tema, pois ele é parte do movimento inaugural da formalização teórica acerca das relações da linguística à luz da descoberta freudiana. Essa visada nos serve de premissa teórica incontornável até hoje no nosso fazer clínico cotidiano. É chave para nos situarmos diante dos ditos do analisante no interior do dispositivo analítico e extrair de sua enunciação uma lógica do seu dizer inconsciente.

No nosso percurso de leitura, vamos privilegiar passar pelos seguintes pontos: o contexto de surgimento no ensino do Lacan desse escrito, o inconsciente estruturado como linguagem, uma primeira definição de letra e a referência linguística. Também abordaremos o signo de Saussure e a sua subversão por Lacan, a introdução do algoritmo lacaniano e a primazia do significante em detrimento do significado. Por fim, esperamos ser ajudados por pequenos fragmentos clínicos freudianos retomados por Lacan no Seminário 5, que materializam essa visada do inconsciente pela primazia significante.

Referências bibliográficas básicas:
FINK, B. (2015). 3. Lectura de “La instancia de la letra en el inconsciente”. Em: Lacan a la letra: una lectura exhaustiva de los Escritos. Barcelona: Editorial Gedisa. p. 83-129.
LACAN, J. (1957). A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 496-533.
LACAN, J. (1957). O familionário. Em: O Seminário, livro 5: as formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
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