Toxicomanias e Alcoolismo (TyA-Rio)

TOXICOMANIAS E ALCOOLISMO (TyA-Rio)

  • Coordenação: Sarita Gelbert
  • Co-coordenação: Rodrigo Abecassis
  • Periodicidade e horário: primeiras e terceiras terças-feiras do mês, às 20h00
  • Início: 06 de agosto

Éric Laurent, em seu texto “Falar com seu sintoma, falar com seu corpo”, delineia um percurso sobre as transformações ocorridas na psicanálise, ao longo de sua história, como efeito das mudanças na civilização, sobretudo quanto à interpretação do sintoma e sua relação com o corpo. Nesse campo, as toxicomanias nos mostram, de modo contundente, a radicalidade do encontro entre a linguagem e o corpo, pois permite, diante das particularidades dos casos clínicos, que façamos, a cada vez, um esforço renovado de interpretação. A substância tóxica penetra, muitas vezes de forma invasiva, interfere radicalmente na economia pulsional do sujeito, e entre acalmar ou excitar, ignora os limites corporais, com risco de levá-los à falência e à morte.

Faremos um percurso dedicado ao estudo sobre o lugar ocupado pela droga e o corpo, tanto no registro da ordem fálica quanto no campo em que ela serve a um corpo como substância gozante. Notamos que na intoxicação há uma tentativa de tratamento do Outro invasor, ao preço do apagamento da subjetividade e da recusa do inconsciente. A última clínica de Lacan abriu a possibilidade de receber e escutar sujeitos submetidos ao imperativo do tóxico e acompanhá-los na invenção de outras respostas.

Segundo Laurent, “as normas nem sempre conseguem fazer com que os corpos, por sua inscrição forçada, se insiram em usos padronizados, nessa máquina infernal na qual o significante-mestre instala suas disciplinas de fazer marcas identificatórias (marquage) e de educação. Os corpos são muito mais deixados por sua própria conta, marcando-se febrilmente com signos que não chegam a lhes dar consistência. Por outro lado, a agitação do real pode ser lida como uma das consequências da “ascensão ao zênite” do objeto a. A apresentação da exigência de gozo em primeiro plano submete os corpos a uma “lei de ferro” cujas consequências é preciso acompanhar”1.

O trabalho do Núcleo para o segundo semestre será pautado pela leitura conjunta da bibliografia indicada intercalada por encontros com profissionais e instituições da rede de saúde mental do Rio de Janeiro.


Nota:
  • 1 LAURENT, E. (2013). “Falar com seu sintoma, falar com seu corpo”.

Bibliografia:

  • LAURENT, E. (2013). “Falar com seu sintoma, falar com seu corpo”. Disponível em: http://www.enapol.com/pt/template.php?file=Argumento/Hablar-con-elpropio-sintoma_Eric-Laurent.html
  • MILLER, J.-A. “Biologia lacaniana e acontecimento de corpo”. In: Opção Lacaniana n. 41, Revista Brasileira Internacional de Psicanálise. São Paulo: Eólia, n. 41, 2004, p. 7-67.
  • ___. “Ler um sintoma”. In: Lacan XXI, Revista online da Fapol, 2016.
  • TARRAB, M. “La sustancia, el cuerpo y el goce toxicómano”. In: Más allá de las drogas. La Paz: Estudios psicoanalíticos, Plural, 2000.
  • TINOCO, V.M. “Organismos de ferro”. In: Latusa nº 20. Rio de Janeiro: EBP-Rio, 2015